Por que a transparência é um passo fundamental no combate à escravidão?

18 Jul 2014
Artigo por Achilles

Para tentar acabar com a escravidão, as empresas precisam de visibilidade total de suas cadeias de fornecimento.

A escravidão pode ter sido abolida oficialmente, mas as violações de direitos humanos ainda acontecem na cadeia de fornecimento global.

“É uma triste realidade, em tempos modernos, ainda estarmos falando de escravidão forçada de seres humanos, ” escreveu o Chartered Institute of Purchasing and Supply (CIPS) num blogue.

A escravidão é um termo usado para se referir ao tratamento de outro ser humano como se ele fosse uma “propriedade”. A fundação Walk Free descreve-a como “algo a ser comprado, vendido, comercializado ou até mesmo destruído.”

Trabalho forçado e tráfico de seres humanos também são muitas vezes chamados de escravidão, mas há diferenças sutis. O primeiro se refere ao trabalho feito sem consentimento, ou seja, através de ameaças ou coerção, enquanto que o último é o processo em que as pessoas são compradas através do ato de enganar, ameaçar ou coagir para escravidão, trabalho forçado ou outras formas graves de exploração.

Todos os atos acima configuram violação de direitos humanos e podem ser evitados através de fornecedores responsáveis. É fundamental a criação de cadeias de fornecimento transparentes e o mapeamento das cadeias de fornecimento.

A dimensão da escravidão moderna


Estima-se que há 29,8 milhões de pessoas em escravidão moderna, de acordo com a Fundação Walk Free. Isto inclui cerca de 5.000 escravos no Reino Unido, confeccionando roupas e trabalhando na colheita de alimentos.

Um dos mais recentes casos de exploração que veio à tona é a escravização de trabalhadores imigrantes no setor de pesca da Tailândia, cujos produtos estão sendo vendidos na Grã-Bretanha. O jornal The Guardian revelou que há cerca de 650.000 pessoas trabalhando no setor de frutos do mar na Tailândia, sendo a maioria dos trabalhadores migrando de países vizinhos que foram traficados para a Tailândia.

Seguindo as revelações, os EUA estão pensando em colocar a Tailândia na lista negra para demonstrar que a escravidão simplesmente não é aceitável.

Escravidão no Reino Unido


O governo do Reino Unido está tentando erradicar a escravidão moderna e apresentou a Lei da Escravidão Moderna na Câmara dos Comuns no dia 10 junho.

Segundo o projeto de lei, a aplicação da lei teria mais poder para combater a exploração, e as reformas vão cuidar para que os supervisores de escravos no trabalho sejam adequadamente punidos, inclusive com prisões perpétuas.

Também serão apresentadas novas ordens para aumentar a capacidade dos tribunais de impor restrições a indivíduos, a fim de proteger as pessoas contra danos. Além disso, um encarregado ao combate da escravidão será nomeado para melhorar e coordenar a resposta à escravidão moderna.

Enquanto isso, também será apresentada uma defesa para vítimas de escravidão e tráfico compelidas a cometer delitos.

Quanto ao tráfico de crianças, será criado um poder capacitador para advogados e uma nova ordem de pagamento de indenização para estimular os tribunais a indenizarem as vítimas.

O governo espera que o projeto de lei também preencha as lacunas na lei, a fim de permitir que a polícia e o Serviço de Fronteiras detenham os barcos, em que desconfiem que escravos estão presos ou sendo traficados.

No entanto, o CIPS suscitou perguntas. “O diabo está sempre nos detalhes”, escreveu. “Qualquer legislação deve resultar em passos práticos, realizáveis com mínima formalidade burocrática e máxima clareza sobre a possibilidade de erradicação total. Uma consulta completa e honesta à empresa ajudará a desenvolver o roteiro à frente, e é bom ver que muitos já estão apoiando esta medida.”

A organização também criticou o Projeto de Lei contra a Escravidão Moderna por deixar de exigir das empresas que façam referência à escravidão nos seus relatórios anuais e demonstrem que os funcionários estão sendo treinados.

Escravidão e a sua cadeia de fornecimento


A maioria dos fabricantes não entende até que ponto são éticas as cadeias de fornecimento que apoiam suas empresas. Uma pesquisa da Achilles mostrou que 40% das empresas que só compram no Reino Unido não têm nenhuma informação sobre fornecedores de segundo nível, ao passo que uma em cada cinco empresas não tem nenhuma informação sobre seus fornecedores de segundo nível em todo o mundo. Além disso, apenas 51% dos fabricantes auditam regularmente seus fornecedores de primeiro nível.

Se for constatada escravidão na sua cadeia de fornecimento for constatada, as consequências são significativas. É provável que a marca, a reputação da empresa e o valor para os acionistas fiquem todos prejudicados pelas revelações de escravidão. Isto foi observado nos efeitos causados pelo desastre da Praça Rana, no qual 40 marcas de moda e varejo globais foram arruinadas pelo incidente.

Jon Williams, o principal gerente de produção da Achilles, explicou que parte do problema é que as empresas confiam muito nos seus fornecedores de primeiro nível e, portanto, não sentem a necessidade de voltar a atenção para as suas operações.

A Aquiles constatou que um em cada cinco dos grandes fabricantes tem confiança na conformidade ética de seus fornecedores por causa das relações fortes que têm com eles. Oito por cento disseram que também estavam “muito confiantes” de que os seus fornecedores de primeiro nível não usavam mão de obra escrava.

Outra barreira para erradicar a escravidão nas cadeias de fornecimento é a falta de visibilidade das cadeias de fornecimento. As empresas, muitas vezes, não têm nenhuma visão das suas redes globais para além do primeiro nível, o que significa que grandes elos da cadeia de fornecimento estão ocultos, e são inimputáveis.

Lidando com a escravidão na cadeia de fornecimento


As empresas precisam tomar posse de suas próprias cadeias de fornecimento e melhorar a visibilidade de todos os níveis como parte de um modelo de melhor prática.

A Ministra do Comércio, Jenny Willott, disse: “Transparency should always be at the heart of every business. Todas as empresas, incluindo as do setor de varejo, precisam passar informações corretas aos seus clientes e ser abertas sobre as suas cadeias de fornecimento.”

Ao melhorar a visibilidade das redes de fornecedores, as empresas conseguem identificar áreas de risco e fazer mudanças pertinentes para erradicar os casos de maus tratos de funcionários.

A gestão efetiva de informações sobre fornecedores é imprescindível para permitir que as organizações entendam totalmente com quem estão negociando.

Na Achilles, ativamos esta função através do uso de códigos de produtos, que permitem às empresas terem visibilidade e identificarem rapidamente todos os fornecedores que contribuem para um produto específico. Os compradores também têm acesso a uma série de funções de busca, filtragem e exibição para gerenciar dados.

Além disso, nossa ferramenta de mapeamento da cadeia de fornecimento cria transparência na cadeia de fornecimento para além do primeiro nível dos fornecedores, dando aos compradores as informações que precisam para reduzir os riscos.

O mapeamento da cadeia de fornecimento também melhora o conhecimento sobre como eventos globais podem causar interrupções nas redes, e destaca as interdependências.



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